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(falta de) monotonia

Foi preciso ir para Lisboa para me acontecer de tudo.
Já tive bombeiros em casa, já fiquei presa no elevador, já caí por tropeçar num doutor, já fiz um hematoma com mau aspecto por ter alcóol no sangue e não ver um pinoco, já demorei 5horas de Oliveira a Lisboa, já tive convites em espanhol, já fui tradutora, vivo sozinha há um mês e descobri que a Cláudia cozinha mal e o Renato fuma como um chulo, já fui leiloada e já participei em concurso de caras orgásmica.
CONCLUSÃO: o que me acontecia, dantes, em meio ano, agora acontece-me em duas semanas!

Finalmente, estou onde quero! :D

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Carpe Diem

Um calafrio acaba de me percorrer o corpo. Atravessa a minha pele como um Inverno gélido sem fim. E a noite, a noite entra pela minha janela. O luar ilumina a folha onde escrevo. Está frio. Sinto os pêlos dos braços eriçados e tenho saudade dos braços confortáveis que já me protegeram. Era sexta-feira. Estava deitada sobre a relva acabada de regar. Olhava o céu e as nuvens que por lá passavam . Queria tentar não pensar em nada, mas não consegui. Lembrei-me de tudo o que tinha acontecido nos últimos anos. Recordei a infância. Senti finalmente que podia sorrir. Estava tudo bem. O sofrimento já tinha passado. Os que me tinham abandonado já não me feriam. Sentia uma paz interior dentro de mim. Reparei que o sol brilhava. Estava um calor imenso. Escorreu-me uma gota de suor pela testa. Em tempos tivera uma sensação semelhante com uma lágrima. Agora não, estava feliz. Num momento de pura felicidade. Eu e a natureza. Ninguém mais. Em tempos claro, porque agora a lua que vejo pelo vidro só...