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Mãe, eu cresci
Mãe, continuo pequena.
Mãe, abraça-me.
Quero parar de sentir que estou e estarei sempre sozinha.
Mãe, ajuda-me.
Mãe, sou tão fraca.
Quero sair daqui.
Não quero continuar a olhar-te e a ter saudades.
Quero que este aperto termine.
Não quero que venhas ter comigo só quando sofres.
Quero dizer-te bom dia a sorrir.
E sinto... Sinto que nunca mudará.
Mãe, tira-me daqui.
Serei sempre a que está aqui e nunca a que vai contigo.
Serei sempre a que não quero ser.
E tu não vês!
Não vês ou não queres ver...
Mas se visses, mudava?

Os meus sonhos são simples alinhavos
São meros rascunhos
Que se apagam com o passar da borracha
E se os desse a conhecer nem rascunhos seriam
E tu teimas em não ver
Teimas em gostar apenas
E eu queimo as folhas de rascunho
E tu tiras as linhas que eu alinhavei.

Não, não sou aquela que pensas
Não, não me deito como pensas
Tenho frio e sou pequena

A chuva não me basta
Preciso de vento
A janela não me trás nada disso:
Só a noite e o frio.

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