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Não sei se sou eu ou outra.
Não sei se este deserto de lágrimas me pertence.
Sei que me sinto perdida no universo que é o meu quarto.
Sei que é sempre ou nunca.
Sei que os dias perderam as horas.
Sei que os segundos desapareceram.

Na intermitência do meu pensamento surgem fragmentos.
Fragmentam-se momentos.
Fragmenta-se a vida.
Esquecem-se fragmentos.
Fragmento este momento.

Enumeram-se as palavras.
Modificam-se as frases.
O texto difere.
O sentido mantém-se.

Agora:
Sou esta e não outra.
Sou a pedra da calçada que não chora.
Sou a pedra que é pisada e ali fica.
E, fico ali imóvel,
Ao sabor do tempo e das pessoas.
Aceito.
Sou uma parte ínfima do universo.
Estou à mercê do caos, do efeito borboleta.

Uma borboleta bate as asas.
Já sou a outra.

O desencadeamento desenfreado de reacções.
A tua reacção.
A minha inércia.
A minha paixão.

E se não fosse tudo isto no universo do meu quarto:
Não seria tudo isto.

Comentários

Rosa Branca disse…
Adoro o Spam atacante ao teu blog e AINDA POR CIMA A ESTE POST (#hatingspamers!!!!!!)

Na intermitência do meu pensamento surgem fragmentos.
Fragmentam-se momentos.
Fragmenta-se a vida.
Esquecem-se fragmentos.
Fragmento este momento.

Speechless esta quadra, pequena!:D

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