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"Como vivem obececados pelo medo de perderem o seu tempo, todos os Papalaguis (homens brancos) - sejam homens, mulheres ou crianças de tenra idade- sabem com exactidão quantas vezes nasceu o sol e a lua desde que viram pela primeira vez a luz do dia. Este acontecimento é considerado tão importante que o celebram, a intervalos de tempo fixos e regulares, com flores e grandes festas. Reparei, muitas vezes, que eles, no meu lugar, se sentiam envergonhados quando, ao perguntarem-me a idade que tinha, eu não era capaz de responder a tal pergunta, que só me dava vontade de rir! "Mas não podes deixar de saber a tua idade!" Eu calava-me, pensando para comigo: mais vale não saber,
Ter uma idade, que dizer: ter vivido um determinado número de luas. Isto de se perguntar qual o número de luas apresenta grande perigos, pois foi assim que se acabou por determinar quantas luas dura em geral a vida dos homens. Ora acontece que cada um, sempre muito atento a isso, passadas que foram já inúmeras luas, dirá: "Pronto! não tarda muito que eu morra!" Nada mais então lhe causa alegria e, de facto acaba por morrer daí a pouco tempo."




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"É preciso viver, não apenas existir"

Sei que não distribuo bem o meu tempo.  Gostava de ler mais e estar mais tempo com algumas pessoas.  Sei que alguns amigos se foram e que outros vieram.  Gostava que todos ficassem.  Sei que não guardo ressentimentos.   Gostava de gostar mais de mim.  Sei que não gosto de ovas.  Gostava de provar Kopi Luwak. Sei que há pessoas com prioridades diferentes das minhas.  Gostava que as prioridades dos que gosto se encaixassem nas minhas.  Sei que as duas "Cláudias" vão ler isto.  Gostava que o Abílio e o Renato também lessem.  Sei que nem sempre estou sozinha.  Gostava de nunca me sentir.  Sei que gosto de chocolate. Gostava que um "pretendente" me oferecesse uma caixa. Sei que amamos o conceito.  Gostava de ter todos os que amo comigo.  Sei que hoje fui muito feliz com 3 pessoas.  Gostava que todos os meus dias tivessem um momento feliz.

Carpe Diem

Um calafrio acaba de me percorrer o corpo. Atravessa a minha pele como um Inverno gélido sem fim. E a noite, a noite entra pela minha janela. O luar ilumina a folha onde escrevo. Está frio. Sinto os pêlos dos braços eriçados e tenho saudade dos braços confortáveis que já me protegeram. Era sexta-feira. Estava deitada sobre a relva acabada de regar. Olhava o céu e as nuvens que por lá passavam . Queria tentar não pensar em nada, mas não consegui. Lembrei-me de tudo o que tinha acontecido nos últimos anos. Recordei a infância. Senti finalmente que podia sorrir. Estava tudo bem. O sofrimento já tinha passado. Os que me tinham abandonado já não me feriam. Sentia uma paz interior dentro de mim. Reparei que o sol brilhava. Estava um calor imenso. Escorreu-me uma gota de suor pela testa. Em tempos tivera uma sensação semelhante com uma lágrima. Agora não, estava feliz. Num momento de pura felicidade. Eu e a natureza. Ninguém mais. Em tempos claro, porque agora a lua que vejo pelo vidro só...