Os segundos vão passando e eu só pedia para não passar tanto tempo comigo mesma.
Se tivesse desejos, pedia para estar contigo...
Estávamos em silêncio a olhar simplesmente; partilhávamos uma cumplicidade total; sentíamos o ar frio da noite ou o calor de uma boa tarde de Verão como se nunca mais voltássemos a ter a mesma oportunidade. Dávamos as mãose eu sentia-me segura. Ninguém me podia deitar abaixo... Tu estarias sempre ali...
Entretanto, acordei!
Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...
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