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Mãe, eu cresci
Mãe, continuo pequena.
Mãe, abraça-me.
Quero parar de sentir que estou e estarei sempre sozinha.
Mãe, ajuda-me.
Mãe, sou tão fraca.
Quero sair daqui.
Não quero continuar a olhar-te e a ter saudades.
Quero que este aperto termine.
Não quero que venhas ter comigo só quando sofres.
Quero dizer-te bom dia a sorrir.
E sinto... Sinto que nunca mudará.
Mãe, tira-me daqui.
Serei sempre a que está aqui e nunca a que vai contigo.
Serei sempre a que não quero ser.
E tu não vês!
Não vês ou não queres ver...
Mas se visses, mudava?

Os meus sonhos são simples alinhavos
São meros rascunhos
Que se apagam com o passar da borracha
E se os desse a conhecer nem rascunhos seriam
E tu teimas em não ver
Teimas em gostar apenas
E eu queimo as folhas de rascunho
E tu tiras as linhas que eu alinhavei.

Não, não sou aquela que pensas
Não, não me deito como pensas
Tenho frio e sou pequena

A chuva não me basta
Preciso de vento
A janela não me trás nada disso:
Só a noite e o frio.

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"É preciso viver, não apenas existir"

Sei que não distribuo bem o meu tempo.  Gostava de ler mais e estar mais tempo com algumas pessoas.  Sei que alguns amigos se foram e que outros vieram.  Gostava que todos ficassem.  Sei que não guardo ressentimentos.   Gostava de gostar mais de mim.  Sei que não gosto de ovas.  Gostava de provar Kopi Luwak. Sei que há pessoas com prioridades diferentes das minhas.  Gostava que as prioridades dos que gosto se encaixassem nas minhas.  Sei que as duas "Cláudias" vão ler isto.  Gostava que o Abílio e o Renato também lessem.  Sei que nem sempre estou sozinha.  Gostava de nunca me sentir.  Sei que gosto de chocolate. Gostava que um "pretendente" me oferecesse uma caixa. Sei que amamos o conceito.  Gostava de ter todos os que amo comigo.  Sei que hoje fui muito feliz com 3 pessoas.  Gostava que todos os meus dias tivessem um momento feliz.

Por fim...

Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...