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Insónia

Hoje é Sábado. Não vou estar tão sozinha à noite. Ao fim-de-semana vêm-se luzes nos prédios da frente até mais tarde: por volta das 2h/3h da manhã ainda se conseguem encontrar focos de luz numa ou noutra janela. Aos dias de semana... Aiiiiii. Aos dias de semana. Aos dias de semana estou ainda mais sozinha. Parece que a minha é a única luz acesa. 
Aos dias de semana eu sou a única a ficar no meu quarto acordada, sem dormir... De um lado para o outro. Fumo um cigarro, leio umas páginas, vejo um filme, tento dormir, fumo um cigarro, como e bebo qualquer coisa, olho para a rua, leio umas páginas, tento dormir. NÃO TENHO SONO! 
Se ao menos vocês me dissessem uma palavra durante a noite. 
Se ao menos vocês não me esquecem-se quando sorriem. 
Se ao menos...

(Tenho para mim que se eu não tivesse constantemente a mesma ideia na cabeça conseguia dormir!)

- São as saudades, Bárbara. São as saudades que não te deixam dormir. São as recordações e as transformações. São as palavras vãs que passaram por ti e não ficaram. São as frases reconfortantes que te foram ditas só para te fazerem sentir melhor. São todas as demonstrações de carinho que só te foram dadas porque ficavam bem. 
-É a mentira, pequena. É a mentira e a omissão que te tiram o sono e que te levam o tempo em que devias dormir. 

Mas eu já nem sinto saudade. Já nem choro com a lembrança...

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S.

Aquilo não era eu. Aquilo não eras tu. Aquilo éramos nós. Agora, aquilo é apenas distância, estranheza e uma constante interrogação sobre a realidade desta memória. Eu amei-te. Tu amaste-me. Amámos-nos. Já não nos amamos. Tenho saudades de já não nos amarmos. Não tenho saudades tuas. Tenho saudades dele. Daquele que vi em ti naqueles dias. Foste o depósito da minha expectativa. Desculpa. Enganei-te. Enganaste-me. Enganámos-nos. Perdemos-nos um do outro. ..... ....... Merda! O que quero dizer é que tenho saudades tuas.

Por fim...

Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...