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Bernardito!

A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação. O que sinto, na verdadeira substância com o que sinto, é absolutamente incomunicável;e quanto mais profudamente o sinto, tanto mais incomunicavel é.Para que eu, pois, possa transmitir a outrem o que sinto, tenho que traduzir os meus sentimentos na linguagem dele, isto é, que dizer tais coisas como sendo as que sinto, que ele, lendo-as, sinta exactamente o que eu senti. (...) Menti?Nao, compreendi.Que a mentira, salvo a que é infantil e espontânea, e nasce da vontade de estar a sonhar, é tao-somente a noção da existência real dos outros e a necessidade de conformar a essa existência a nossa, que se nao pode conformar com ela.A mentira é simplesmente a linguagem da alma, pois assim como nos servimos de palavras que sao sons articulados de uma maneira absurda, para em linguagem real traduzir os mais intimos e subtis movimentos da emoçao e do pensamento, que as palavras forçosamente não poderão nunca traduzir, assim nos servimos da mentira e da ficçao para nos entendermos uns aos outros, o que com a verdade, própria e intransmissível, se nunca poderia fazer.

Comentários

Anónimo disse…
Estrondoso demais, não é?

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S.

Aquilo não era eu. Aquilo não eras tu. Aquilo éramos nós. Agora, aquilo é apenas distância, estranheza e uma constante interrogação sobre a realidade desta memória. Eu amei-te. Tu amaste-me. Amámos-nos. Já não nos amamos. Tenho saudades de já não nos amarmos. Não tenho saudades tuas. Tenho saudades dele. Daquele que vi em ti naqueles dias. Foste o depósito da minha expectativa. Desculpa. Enganei-te. Enganaste-me. Enganámos-nos. Perdemos-nos um do outro. ..... ....... Merda! O que quero dizer é que tenho saudades tuas.

Por fim...

Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...