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Algo que já não faz sentido!

Mais uma vez gostava da imagem que via. Sentia que aquela representação, que surgia no branco da parede, suja pelo tempo, mostrava a realidade. Solidão. Era apenas ele e os seus cinco sentidos. Mas, se até já nestes colocava a dúvida, mais nada existia em que pudesse acreditar! Sentia que as verdade tinham ficado por dizer e que os passos que dava só mostravam, mais uma vez, o ser desprezível e imundo em que se tornara! Errara outra vez. O menino sabia-o, apesar dos sinais físicos de crescimento! A lua que partilhara em tempos tinha fugido por entre as suas grandes e trabalhadas mãos, em que até as feridas que apresentavam, não deixavam que estas perdessem a sua perfeição. Os grandes olhos, que transpareciam uma ternura enorme, tinham perdido toda a cor para se transformarem em algo opaco e frio... Relembrou a lua! Fez um esboço! Uma lua preenchida. Imensos relevos e pormenores. Cada traço que desenhava representava uma memória. Já não era a mesma. A Lua tinha-se transformado e a culpa era sua, ele sabia! Era tarde para caminhar. Voltar atrás e pedir desculpa ou alterar o passado. Optou por desistir. Desistiu de tudo! Da vida, das pessoas, dos carinhos e das palavras... Decidiu depois agarrar-se a algo que desprezava e aí, aí morreu! Morte lenta e discreta. Espalhou todos os seus restos mortais. Tudo espalhado pelos recantos da memória a que pertencia...
(O pó que ainda existia, não deixava de latejar...)
Agora, no momento em que a tinta das memórias ainda está fresca, o menino chora, pela primeira vez! Sente saudade e pede a um qualquer Deus, em que julga não acreditar, que o perdoe.
Do outro lado do mundo, a mulher escreve! Escreve e chora... Pensa e sente! Saudade, porque o menino partiu! Trocas! Mortes! Sempre! Vingança! Saudades e ódios! AMOR!
E tudo, tudo aquilo, que a cada batimento do coração menino sentia, e a lua que desenhou, não passaram de um grande sonho e desejo!
No final, a pobre mulher, que sofreu, volta a ser enganada e a sofrer! Sofrer por alguém que não imaginava ser possível!

Comentários

renato disse…
Gostei, mas tens aí duas palavras repetidas (e não parece ser propositado).

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S.

Aquilo não era eu. Aquilo não eras tu. Aquilo éramos nós. Agora, aquilo é apenas distância, estranheza e uma constante interrogação sobre a realidade desta memória. Eu amei-te. Tu amaste-me. Amámos-nos. Já não nos amamos. Tenho saudades de já não nos amarmos. Não tenho saudades tuas. Tenho saudades dele. Daquele que vi em ti naqueles dias. Foste o depósito da minha expectativa. Desculpa. Enganei-te. Enganaste-me. Enganámos-nos. Perdemos-nos um do outro. ..... ....... Merda! O que quero dizer é que tenho saudades tuas.

Por fim...

Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...