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Apontamento XV

Um dia sonhei que te teria. Perdi tudo no minuto a seguir. A cada passo que dou os sentimentos vão fraquejando, as memórias tornam-se pouco fidedignas e as esperanças desvanecem-se na bruma que cobre todas as manhãs.
A janela esconde a multidão que caminha, que segue o seu caminho. Cada um com uma história diferente, cada um com os seus sonhos e objectivos e, eu aqui. Deitada, com frio, com saudades dum abraço, dum beijo, que em tempos tive.
Fito as fotografias na parede. Não sei se foram ou são amigos quem vejo, mas gostava de os ter aqui, agora. O tempo deixou de existir. São apenas ponteiros que rodam. São apenas minutos, que nem sei o que são, que fogem.
Na tentativa de recuperar incorro em erros repetidos. Torno a não querer, a correr, a temer e a perder. O fio vai perdendo elasticidade, vai apodrecendo, vai-se metamorfoseando-se.
O produto final é indiferente. O dia corre. Mexe comigo. Encontro novas pessoas todos os dias. Vejo novas vidas. Entendo a efemeridade.
Por fim, vou à Brasileira e aprecio o Tejo!

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S.

Aquilo não era eu. Aquilo não eras tu. Aquilo éramos nós. Agora, aquilo é apenas distância, estranheza e uma constante interrogação sobre a realidade desta memória. Eu amei-te. Tu amaste-me. Amámos-nos. Já não nos amamos. Tenho saudades de já não nos amarmos. Não tenho saudades tuas. Tenho saudades dele. Daquele que vi em ti naqueles dias. Foste o depósito da minha expectativa. Desculpa. Enganei-te. Enganaste-me. Enganámos-nos. Perdemos-nos um do outro. ..... ....... Merda! O que quero dizer é que tenho saudades tuas.

Por fim...

Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...