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Não sei se sou eu ou outra.
Não sei se este deserto de lágrimas me pertence.
Sei que me sinto perdida no universo que é o meu quarto.
Sei que é sempre ou nunca.
Sei que os dias perderam as horas.
Sei que os segundos desapareceram.

Na intermitência do meu pensamento surgem fragmentos.
Fragmentam-se momentos.
Fragmenta-se a vida.
Esquecem-se fragmentos.
Fragmento este momento.

Enumeram-se as palavras.
Modificam-se as frases.
O texto difere.
O sentido mantém-se.

Agora:
Sou esta e não outra.
Sou a pedra da calçada que não chora.
Sou a pedra que é pisada e ali fica.
E, fico ali imóvel,
Ao sabor do tempo e das pessoas.
Aceito.
Sou uma parte ínfima do universo.
Estou à mercê do caos, do efeito borboleta.

Uma borboleta bate as asas.
Já sou a outra.

O desencadeamento desenfreado de reacções.
A tua reacção.
A minha inércia.
A minha paixão.

E se não fosse tudo isto no universo do meu quarto:
Não seria tudo isto.

Comentários

Rosa Branca disse…
Adoro o Spam atacante ao teu blog e AINDA POR CIMA A ESTE POST (#hatingspamers!!!!!!)

Na intermitência do meu pensamento surgem fragmentos.
Fragmentam-se momentos.
Fragmenta-se a vida.
Esquecem-se fragmentos.
Fragmento este momento.

Speechless esta quadra, pequena!:D

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S.

Aquilo não era eu. Aquilo não eras tu. Aquilo éramos nós. Agora, aquilo é apenas distância, estranheza e uma constante interrogação sobre a realidade desta memória. Eu amei-te. Tu amaste-me. Amámos-nos. Já não nos amamos. Tenho saudades de já não nos amarmos. Não tenho saudades tuas. Tenho saudades dele. Daquele que vi em ti naqueles dias. Foste o depósito da minha expectativa. Desculpa. Enganei-te. Enganaste-me. Enganámos-nos. Perdemos-nos um do outro. ..... ....... Merda! O que quero dizer é que tenho saudades tuas.

Por fim...

Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...