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O sol nasce daqui a pouco.
A parede que está à minha frente devia ser feita de vidro e o amor que sinto por ele devia parar de existir. 
Eu devia parar de existir. 
Começo a viver. Aos poucos, lentamente, paulatinamente, de forma compassada e pausadamente. 
Sou uma incompetente da sociedade. Não que seja marginal, mas não sou competente. Tenho um certo desfasamento do mundo em geral. Ou da normalidade, mesmo que essa não seja a maioria. Se calhar só conheço a minoria e por isso é que me sinto assim. 
Tenho a cabeça pesada e as pálpebras já não obedecem à minha ordem cerebral. Os neurónios parecem não cumprir as sinapses correctamente e sinto que o físico está a derrotar o intelecto. 
Tenho sonooooooooo. Não quero dormir. 
Quero continuar a ver a lua pela janela. Quero esperar que o metro abra e ir para ao pé do mar. Mas não consigo... Estou cansada. 
Cansada no duplo sentido da palavra. 
E sou eu: a menina com medo. A menina que cora mais de 5 vezes ao dia. A menina que detesta espelhos. 
E são vocês a dizer que eu sou uma g'anda gaja, que sou muito forte, que estou sempre bem e que não choro. 
Mas sim, é verdade, já não choro. E o passado, é o passado. 
Deixem-me estar no presente. Se calhar é por isso que se chama presente, é uma prenda!!!! 
Mas, deixem-me estar e não me deixem lembrar da vossa existência. 
Deixei-me dormir agarrada à minha almofada. Deixem-me ir para a cama. 
Não vou fantasiar, não vou esperar nada, vou apenas dormir..................................................................................................................................................................................

  

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S.

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