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Ou lá o que é isso

Está em todo o lado: na entrada para ao metro ao pé de casa, na mortalha com que enrolo o cigarro, nos decilitros de vinhos do porto que bebo, nas longas e nas curtas, nos passos, na chama da vela, na droga, nos olhares envergonhados e nos olhares sedutores, na janela do prédio em frente, no saco de plástico que dança a par com o vento, nas folhas que caem, nos raios de sol, no arrepio que o frio provoca, nos sonhos, nas realidades inventadas, nas palavras e nos frisos das janelas.
Não existiria como o conheço se não estivesse em todo o lado. Não é uma espécie de Deus, mas sinto-o até nos perfumes. Seja rosmaninho, lavanda, baunilha ou chanel nº5.
Está nos almoços divertidos e nos jantares depressivos. Está no dia de hoje e estará no de amanhã.
Vai-se transformando. Ora está em ti e deixa de estar para passar para ele. Ou pertence-vos aos dois. Ou a nenhum.
Nunca cessa.
O amor nunca acaba.

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S.

Aquilo não era eu. Aquilo não eras tu. Aquilo éramos nós. Agora, aquilo é apenas distância, estranheza e uma constante interrogação sobre a realidade desta memória. Eu amei-te. Tu amaste-me. Amámos-nos. Já não nos amamos. Tenho saudades de já não nos amarmos. Não tenho saudades tuas. Tenho saudades dele. Daquele que vi em ti naqueles dias. Foste o depósito da minha expectativa. Desculpa. Enganei-te. Enganaste-me. Enganámos-nos. Perdemos-nos um do outro. ..... ....... Merda! O que quero dizer é que tenho saudades tuas.

Por fim...

Qual é o espaço mais sóbrio do grande manicómio social ? São perguntas como esta, que nos surgem numa leitura, que me fazem pensar. Com algum sentido de humor respondo: "tascas" ou "tabernas". Reflectindo: Serão as escolas, faculdades, redacções jornalísticas, tribunas políticas, tribunais? Para mim, não... Na minha modesta opinião, a resposta que melhor se adequa, e espantem-se caros leitores, é: "os velórios ". É neles que cada um ganha realmente consciência de que a vida terrena tem um fim. Até aqueles que julgam entender a efemeridade da vida, só nesta altura o compreendem verdadeiramente. Depois? Depois restam as lágrimas, que cessam algum tempo depois e nos reencaminham para a nossa antiga e rotineira existência, sem nos lembrarmos que a morte pode chegar. Pois é, amigos, daqui a, 1... 2... 3... 4... ...